segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

As possibilidades me sufocam.

Cada segundo é um espetáculo rápido
E as palavras se remexem alucinadas dentro de mim
Tentando acompanhar o ritmo de meus olhos ávidos.
Sinto vontade não sei do quê
Quero ir não sei para onde
Tudo faz parte de uma infinidade violenta
E minha realidade é muito ínfima
Em relação à vastidão que me atormenta.
Mas não sei por onde começar
São 360º de pedaços de vida inexplorados
Todos com sua cruel parcela secreta de aproveitamento
Afinal, devo investir de que lado?
E a dúvida me imobiliza
Casos e acasos, eventos e opções me cegam
Desnorteada e aflita,
Tudo o que consigo fazer é sonhar
Na tentativa inocente
De compensar mentalmente
Tudo aquilo que não vivi, não senti e não tentei
E em seguida me pego a pensar
Se com o tempo esta minha ânsia de vida
Poderá solenemente sossegar.



domingo, 2 de novembro de 2014

PROIBIDO!

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
— Pablo Neruda

sábado, 25 de outubro de 2014

“A única realidade para mim são as minhas sensações. Eu sou uma sensação minha. Portanto nem da minha própria existência estou certo. Posso está-lo apenas daquelas sensações a que eu chamo minhas. A verdade? É uma coisa exterior? Não posso ter a certeza dela, porque não é uma sensação minha, e eu só destas tenho a certeza. Uma sensação minha? De quê? Procurar o sonho é pois procurar a verdade, visto que a única verdade para mim, sou eu próprio. Isolar-se tanto quanto possível dos outros é respeitar a verdade.” 

— Textos Filosóficos . Vol. II. Fernando Pessoa.

hiper(p)enso

penso e penso tanto
que quando penso
é de improviso penso
e pensando-ando ato ando
eu e o isto penso e penso
sem quando que me despertenço
e acabo em infinito penso
e penso tanto que cuando
 pienso no sé si existo

sábado, 6 de setembro de 2014

Serpente



O acaso empurra quem Se agarra à borda preso em negação
Solitário na multidão A sustentação é que a manhã já vem
Logo mais amanhã já vem
Chega dessa pele, é hora de trocar
Por baixo ainda é serpente e devora a cauda Pra recomeçar.


domingo, 3 de agosto de 2014

Eu, água.

“Respira fundo e apaga tudo por alguns segundos. Conte até dez e permita-se recomeçar. Parece terapia mas não é, quando se está na beira do abismo, você se salva ou vira manchete de jornal. A poesia fica no canto da página, feito nota de falecimento, sem nenhuma expressão. Não adianta querer entender o que se passou, é hora de esquecer e se reorganizar, uma mera questão de sobrevivência. Depois de tantas recaídas, idas e vindas é preciso voltar ao jogo. E é nessas horas que eu gosto de comparar o ser humano com a água, com o líquido e o abstrato, gosto de acreditar na flexibilidade e fluidez do universo. Eu diria que o segredo é ser capaz de enxergar todas as possibilidades de escolha, de entender as múltiplas facetas da verdade. Vasculhe o jornal, tantas coisas acontecendo, o mundo é um balão de novidades, uma esfera cibernética de fatos e pessoas. Reflita, se fossemos baseados em regras ou princípios torpes, tornaríamos repetições sem graça dos nossos pais, no máximo um retrato hightech do passado. Está na hora de exercer toda a sua criatividade. Reaja e assim como a água deixe fluir. Ocupe um novo lugar, adapte-se às novas condições de temperatura e ambiente. Vamos, respira, a cada tropeço temos a chance de rever tudo, de encontrar as falhas, de tampar os buracos. Somos um rio repleto de vida, carregamos em nós mesmos um universo particular de possibilidades e vocações. Abras as gavetas, doe algumas roupas, faça novas combinações, ache palavras interessantes no dicionário e use-as, compre discos, vá ao conservatório de música e em suas escadarias recite aquele verso que te fez chorar. Está tudo ai, basta exercermos a nossa liberdade e irmos em frente.”

Elisa Bartlett



quarta-feira, 9 de julho de 2014

dona felicidade

“O segredo é esse, a felicidade não está nas grandes coisas, na quantidade de dinheiro que carregamos no bolso, está no conjunto do dia, nos pequenos gestos, nas ocorrências cotidianas, está na leitura de um olhar discreto, nas reações e sentimentos alheios, nas impressões sentimentais naufragadas ou prestes a surgir do inconsciente, nas respostas ditas claramente e sem medo, na estante de livros do corredor, na capacidade de sermos diferentes e incrivelmente interessantes, de nos permitirmos a enlouquecer e sair pela ruas declarando o amor ou a desilusão, de entendermos que só há uma saída quando se trata de ser verdadeiro, e ela reside no fato de sermos exatamente quem somos, gays, transviados, românticos, poetas marginais, políticos, amantes, nerds, surfistas, deístas, travestis, cristãos, militares, hyspers, ou quem sabe um transviado-militante ou um sufista-poeta, somos todos seres humanos mutantes em completa e constante evolução. Saber que se radicalizar ou se prender ao passado, à ideias retrógradas e estapafúrdias é se congelar perante as possibilidades, é burrice frente ao um mundo que anda na velocidade da luz. Nos resta saber que a felicidade está impreterivelmente nas nossas escolhas e ações cometidas quando nos deparamos com o absurdo e irreal aos olhos do coração, está dentro de nós, está na nossa capacidade de semear o bem e o mal, de criar estilos inéditos, misturados, completamente inusitados. Os momentos escrevem a vida assim como os ponteiros percorrem o relógio e definem as horas do dia. Então, não sejamos egoístas, sejamos responsáveis e corajosos, sejamos condutores e produtores de nossas próprias vidas. Chega de culpar o outro e nos justificarmos citando regras e padrões ou até mesmo nossos pais e professores. Está na hora de sermos pessoas melhores, chega de tanta mediocridade e lamentações. É hora de escrever nossos próprios princípios de vida, defendê-los e sermos absolutamente livres e felizes.”

 Elisa Bartlett

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Thinking Out Loud.



I'm thinkin' bout how 
People fall in love in mysterious ways 
Maybe just the touch of a hand
Me, I fall in love with you every single day
I just wanna tell you i am...


domingo, 15 de junho de 2014

PESSOAS

“Pessoas. Olhares evasivos, semblantes tristes, alegres e por vezes monótonos. Pessoas: um poço fundo de sentimentos subjetivos e qualidades duvidosas. Pessoas. Eu olho-as e tento penetrar na alma delas e entender ou talvez perceber um pouquinho que seja das suas vidas. Não que eu queria ser curioso, mas isso me encanta. Pessoas. Olho-as e tento imaginar de onde elas vêm, para onde vai, se estão bem, se está pensando o mesmo sobre mim ou o que elas carregam no peito. Pessoas. Sou um apaixonado por essas almas prolixas que vêm de não sei de onde e vão para não sei o quê. Pessoas. Olho-as profundamente na esperança de resgatar o meu eu perdido nos olhares demorados dos demais transeuntes. Pessoas não são iguais à ninguém. Somos todos seres ímpares, nascemos assim, desprovidos de semelhança alheia. Pessoas. Ando pela Avenida e percebo que meu dia jamais seria o mesmo sem poder ver, analisar, pensar ou levantar perguntas retóricas para mim mesmo sem elas. As pessoas me ajudam a compreender o que eu não percebo. As pessoas fazem o que eu não faço. As pessoas comem, bebem, vestem, falam o que eu não bebo, e isso me chama a atenção. Somos eternos seres cativantes e não fazemos a mínima idéia de que podemos ser o alvo de um olhar aguçado. Pessoas. Todo mundo se parece com a gente, mas ninguém é igual a ninguém.”

sábado, 7 de junho de 2014

um/dois.

Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão,
 continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

domingo, 25 de maio de 2014

BRIGHTEST MORNING STAR

I lift my hands and pray
Coz life's tough somedays
But I will not lose faith coz you will lead the way


quarta-feira, 30 de abril de 2014

desligando-se

“Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali.”

quarta-feira, 2 de abril de 2014

não pra mim.

Quero seguir livre, entende? mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho. Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez em quando, sentir saudade, gostar um pouquinho. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Quando Estava Só.

Podia ser ela mesma, quando estava só. E era isto que precisava fazer com frequência: pensar. Bem, nem mesmo pensar. Ficar em silêncio; ficar sozinha. E toda a existência, toda a atividade, com tudo que possuem de expansivo, brilhante, vibrante, vocal, se evaporavam. Então podia, com uma certa solenidade, retrair-se em si mesma, no âmago pontiagudo da escuridão, algo invisível para os outros.

Virginia Woolf. Ao Farol; tradução de Luiza Lobo. Ediouro, pág. 67. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

u t1

G., A claridade dos dias fere meus olhos recém acordados. Aos cacos e refém da saudade, lhe escrevo. Mais um ano se passou, um dos muitos que espero ter para nós. Um ano em que, grandes guerras foram travadas dentro dessa minha bagunça que é tua. Eu te descobri em uma parte remota de mim, chamada coração. Meus órgãos foram afetados, todos. Minhas fraturas expostas foram tratadas com carinho por tuas mãos.
G., hoje eu te amo mais que ontem. Vejo que teu céu é o único lugar onde coloco minhas estrelas, só ai, tenho certeza que elas como fogos, o céu iluminarão.
Olhos holísticos.  

domingo, 19 de janeiro de 2014

Epílogo

Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma. Tudo agora está suspenso. Nada aguenta mais nada. E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes, o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe... Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca... Outras vezes senta uma mosca e desaba um cidade. 

Mario Quintana

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

íssimo

“O que há em mim é sobretudo cansaço, não disto nem daquilo, nem sequer de tudo ou de nada: Cansaço assim mesmo, ele mesmo, cansaço. A subtileza das sensações inúteis, as paixões violentas por coisa nenhuma, os amores intensos por o suposto alguém. Essas coisas todas - essas e o que faz falta nelas eternamente -; Tudo isso faz um cansaço, este cansaço, cansaço. Há sem dúvida quem ame o infinito, há sem dúvida quem deseje o impossível, há sem dúvida quem não queira nada - três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: Porque eu amo infinitamente o finito, porque eu desejo impossivelmente o possível, porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, ou até se não puder ser… E o resultado? Para eles a vida vivida ou sonhada, para eles o sonho sonhado ou vivido, para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto… Para mim só um grande, um profundo, E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, um supremíssimo cansaço. Íssimo, íssimo. íssimo, cansaço.” 

 — Álvaro de Campos

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

a superficialidade do mundo me assusta.

eu não sei amar, não sei esquecer e não sei guardar as palavras em um canto qualquer. não entendo as pessoas que viram a cara pros problemas, pras ideologias escritas em muros, pra poesia seca que a gente não consegue salvar ao fim de cada dia. eu guardo metáforas nos fios do meu cabelo e tenho sonhos que poderiam preencher a solidão de cada um que já desistiu de ser alguma coisa. e eu juro que eu me agarro às esses pequenos sorrisos diários mesmo quando o mundo me fecha as portas porque eu simplesmente não sei lidar com tanto. e as pessoas fecham os livros, esquecem as figuras de linguagem, amam somente o corpo. e alma nenhuma suporta tanto amor que não é. tanto amor por tanto material e nem sequer conseguem sentir o verdadeiro significado que o amor nos impõe: ser eterno em um segundo. amar por um segundo, sim, eles sabem fazer isso. mas amar de forma inacabada não se vê. nunca se viu. a aceitação. o não argumentar. que mundo é esse onde ninguém sequer tenta mover uma peça do jogo? eu sou mais do que nunca agora o movimento e as pessoas só conseguem me mostrar a paralisação total de suas almas. e aí eu fujo porque o que o mundo me impõe é : nenhum político presta, então é melhor ficar do jeito que tá. um hospital foi finalmente criado naquela cidade, isso é motivo de festa! eu amo você hoje, viu, amanhã eu vou amar a primeira pessoa que falar oi comigo. essa pessoa é demais, você tem que ver a casa dela na praia. pra que se preocupar com as pessoas que sentem fome se lá na televisão tá rolando uma briga entre aquelas atrizes que merece toda a atenção. pra que ler poesia, procurar um sentimento, sentir um pingo de curiosidade por qualquer coisa se o meu trabalho me espera? fujo pra tentar salvar ainda um pedaço de alma que eu guardo. fujo porque eu não sei lidar com tamanha superficialidade. e aí me escondo. deixo de ser.

La Yugular

  7 heavens Big deal I wanna see the 8th heaven 10th heaven Thousandth heaven You know, it's like Break on through the other side It...