quinta-feira, 25 de junho de 2026

La Yugular

 

7 heavens
Big deal
I wanna see the 8th heaven
10th heaven
Thousandth heaven
You know, it's like
Break on through the other side
It's just like going through one door
One door isn't enough
A million doors aren't enough

terça-feira, 4 de novembro de 2025

A Liberdade e a Pomba que Ignora o Próprio Voo


A noção de liberdade sempre ocupou um lugar central na reflexão filosófica ocidental. No entanto, sob a ótica estoica, a liberdade não se confunde com o poder de agir externamente, mas com a autonomia interior diante das circunstâncias. Para os estóicos — de Zenão a Epicteto — ser livre significa viver conforme a razão e a natureza, reconhecendo os limites do que está sob nosso controle e aceitando serenamente aquilo que nos escapa.

A metáfora da pomba que é tão livre que não sabe que é livre ilustra de modo exemplar essa concepção. A ave, ao voar, realiza sua natureza; ela é livre porque nada a impede de exercer aquilo que é própria à sua essência. Contudo, essa liberdade é inconsciente. A pomba não reflete sobre o próprio voo, não compreende que o céu é um espaço de possibilidade. Sua liberdade é, portanto, natural, mas não racional.

O ser humano, por sua vez, encontra-se em posição distinta. Ele é dotado de razão — logos — e, por isso, pode reconhecer a própria liberdade ou, ao contrário, viver como se fosse prisioneiro de fatores externos: da fortuna, da opinião alheia, dos impulsos e das paixões. O escravo, para o estoicismo, não é aquele cujas mãos estão atadas, mas aquele cuja mente se encontra cativa do desejo e do medo. Assim, há homens que, mesmo cercados por todas as possibilidades de ação, vivem como a pomba: livres em ato, mas ignorantes de sua liberdade.

A consciência da liberdade, no pensamento estoico, nasce do discernimento entre o que depende e o que não depende de nós. Quando o indivíduo compreende que seu poder se restringe às próprias ações e juízos, e que tudo o mais pertence à ordem natural das coisas, ele alcança a verdadeira autarkeia — a suficiência de si. Nesse ponto, sua liberdade deixa de ser mera condição natural e torna-se liberdade moral: a capacidade de consentir com o destino sem se submeter a ele interiormente.

A pomba que não sabe que é livre representa, assim, o estado inicial da liberdade humana: uma liberdade potencial, mas ainda não refletida. A tarefa filosófica — e especialmente a estoica — é transformar esse voo instintivo em um voo consciente, no qual o homem compreende que não é livre porque pode voar, mas porque sabe por que voa.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

A Idade da Razão.

Os dias mais recuados de sua infância, o dia em que dissera: "Serei livre", o dia em que dissera: "Serei grande", apareciam-lhe, ainda agora, com seu futuro particular, como um pequenino céu pessoal e bem redondo em cima deles, e esse futuro era ele, ele tal e qual era agora, cansado e amadurecido. Tinham direitos sobre ele e através de todo aquele tempo decorrido mantinham suas exigências, e ele tinha amiúde remorsos abafantes, porque o seu presente negligente e cético era o velho futuro dos dias passados. Era a ele que eles tinham esperado vinte anos, era dele, desse homem cansado, que uma criança dura exigira a realização de suas esperanças; dependia dele que os juramentos infantis permanecessem infantis para sempre, ou se tornassem os primeiros sinais de um destino. Seu passado sofria sem cessar os retoques do presente; cada dia vivido destruía um pouco mais os velhos sonhos de grandeza, e cada novo dia tinha um novo futuro; de espera em espera, de futuro em futuro, a vida dele deslizava docemente... em direção a quê?

Jean-Paul Sartre 
SARTRE, J., A Idade da Razão, 1945

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

J.S

 Fragmentos de um escritor que tanto amo e admiro; 


Ora, a solidão, ainda vai ter de aprender muito para saber o que isso é, Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz, Você está a tresvariar, tudo quanto menciona está ligado entre si, aí não há nenhuma solidão, Deixemos a árvore, olhe para dentro de si e veja a solidão, Como disse o outro, solitário andar por entre a gente, Pior do que isso, solitário estar onde nem nós próprios estamos.

Eu sou uma ilha desconhecida, perdida algures neste oceano. Não me conheço, não me sinto, não me tenho e quando me procuro, não me encontro. Tento dar um pouco de mim, todos os dias. Tento libertar-me e gritar quem sou. De que me serve tudo isso? Sou uma ilha desconhecida, igual a qualquer outra. E como qualquer outra, espero um barco que me mostre, afinal de contas, quem sou eu e o que faço perdida no oceano, no meio de tantas ilhas todas diferentes, todas distantes.

(Somos todos uma mera ilha desconhecida. Partilhamos o mesmo oceano, mas não partilhamos os mesmos rumos. Somo-nos desconhecidos. Não nos conhecemos a nós próprios, muito menos aos outros.)







quinta-feira, 29 de junho de 2023

capítulo 11, ”perda: amar na vida e na morte”.

 ”Muitos de nós passam a amar a vida apenas quando confrontados com doenças que a colocam em risco. Com certeza, encarar a possibilidade da minha morte me deu coragem para olhar de frente a falta de amor em minha vida. Muitas obras contemporâneas visionárias sobre a morte e o morrer destacam o aprendizado de como amar. Amar permite que transformemos a nossa celebração da morte em uma celebração da vida. Em uma carta jamais enviada a um de meus amores verdadeiros, escrevi: ‘Durante o funeral da irmã, minha amiga fez um discurso do qual declarou: ‘Sua morte fez com que nós a amássemos completamente’. Somos muito mais capazes de abraçar a perda de pessoas íntimas que amamos ou de amigos quando sabemos que demos a eles tudo o que podíamos – quando compartilhamos com eles o reconhecimento mútuo e o pertencimento no amor que a morte jamais poderá mudar ou tirar de nós. A cada dia, sou grata por ter conhecido um amor que me permite aceitar a morte sem qualquer medo de incompletude ou falta, sem qualquer sensação de arrependimento irreversível. Esse foi um presente que você me deu. Eu o aprecio; nada muda o seu valor. Ele permanece precioso’. Amar faz isso. O amor nos empodera para viver plenamente e morrer bem. Então, a morte se torna não o fim da vida, mas uma parte dela”.



Bell Hooks

sexta-feira, 14 de abril de 2023

EU, Aprendiz

Sendo eu, um aprendiz
A vida já me ensinou que besta
É quem vive triste
Lembrando o que faltou
Magoando a cicatriz
E esquece de ser feliz
Por tudo que conquistou
Afinal, nem toda lágrima é dor
Nem toda graça é sorriso
Nem toda curva da vida
Tem uma placa de aviso
E nem sempre o que você perde
É de fato um prejuízo
O meu ou o seu caminho
Não são muito diferentes
Tem espinho, pedra, buraco
Pra mode atrasar a gente
Mas não desanime por nada
Pois até uma topada
Empurra você pra frente
Tantas vezes parece que é o fim
Mas no fundo, é só um recomeço
Afinal, pra poder se levantar
É preciso sofrer algum tropeço
É a vida insistindo em nos cobrar
Uma conta difícil de pagar
Quase sempre, por ter um alto preço
Acredite no poder da palavra desistir
Tire o D, coloque o R
Que você tem Resistir
Uma pequena mudança
Às vezes traz esperança
E faz a gente seguir
Continue sendo forte
Tenha fé no Criador
Fé também em você mesmo
Não tenha medo da dor
Siga em frente a caminhada
E saiba que a cruz mais pesada
O filho de Deus carregou


Bráulio Bessa

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 ...há impossibilidade de ser além do que se é -
no entanto eu me ultrapasso mesmo sem o delírio,
sou mais do que eu, quase normalmente -
tenho um corpo e tudo que eu fizer é continuação
de meu começo......
a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou? Bem, isso já é demais...

La Yugular

  7 heavens Big deal I wanna see the 8th heaven 10th heaven Thousandth heaven You know, it's like Break on through the other side It...