segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Frá...

Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar. 

 Caio Fernando de Abreu.

sábado, 10 de dezembro de 2016

~

Como um tempo de alegria, por trás do terror me acena,... E a noite carrega o dia, no seu colo de açucena... Sei que dois e dois são quatro, Sei que a vida vale a pena... mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena... 

 Ferreira Gullar

sábado, 7 de maio de 2016

A MORTE!

“Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava à esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que e causa em todos que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos para a semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco de quê ? Você passou mais de 10 anos de sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam para nada, mas se manteve lá, fez as provas, e foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou a madrugada sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente… De uma hora para outra, tudo isto termina numa colisão de freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste! Obriga você sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez a sua musica preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua tolha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar suas pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas, mulheres e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito! Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. OK… Hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até o rapa? Não se faz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça! Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida…Perdoe…sempre!!“ 



Pedro Bial.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

nada é erro.

Às vezes achamos que a vida nos nega aquilo que queremos quando na realidade está dizendo apenas “Espere, tudo tem sua hora”. É difícil para nós aceitar que cada situação e cada acontecimento tem seu tempo e que não há motivo para o mundo se curvar ao nosso ritmo.
Crescemos normalmente com a crença interior que o normal é pensar “quero isso e quero agora, não quero esperar mais”. Então, quando vemos que na realidade o que queremos não chega quando nós queremos, nos damos conta que cada desejo tem seu tempo e a única coisa que conseguimos tendo pressa é criar ilusões e expectativas.
Devemos nos esforçar para viver no aqui e agora, para fomentar nossa capacidade de espera e o dom da paciência, pois ela nos ajudará a aproveitar a vida como ela é.
A questão é investir esforço para correr atrás até colhermos o sucesso, até que nossos objetivos, metas e desejos sejam alcançados. Só fracassando, caindo e nos levantando podemos saborear aquilo que desejamos e parece nunca chegar.
O mesmo se passa com o amor, que nunca chega quando estamos procurando, mas sim quando menos esperamos. Isso é algo que não entendemos e que pode nos desesperar até o limite. De fato, quando desejamos o amor e este não aparece, acabamos achando que a culpa é nossa e que não merecemos o amor.
Espere: tudo passa, tudo chega e tudo muda.
Na verdade internalizar algo assim como “espere, tudo tem sua hora”, requer que façamos um grande exercício de autocontrole. Ou seja, se alguém nos coloca diante de uma situação e sabemos exatamente o desfecho que desejamos dela, para esperar que esse desfecho aconteça devemos tentar nos focar em outros pontos para não darmos tanta atenção à espera em si.
Ou seja, usar estratégias de autocontrole que nos permitam ser capazes de reprimir a tentação de atropelar a ordem das coisas e tentar adiantar algum acontecimento. Isso é tentador. Em um experimento realizado nos anos 60 pelo psicólogo Walter Mischel da Universidade de Columbia, crianças eram colocadas em frente a doces e avisadas de que se esperassem um minuto sem comer o doce, ganhariam outro doce e então poderiam comer os dois.
Algumas estratégias usadas pelas crianças que não comeram o doce no primeiro muito foram dançar, cantar, virar para o outro lado, distrair-se com outras coisas. Posteriormente, acompanhando a vida dessas crianças, notou-se que as que não comeram o doce e tinham maior capacidade de controlar os impulsos na infância mantiveram essa capacidade na vida adulta.
A capacidade de espera e autocontrole começam a se desenvolver desde que nascemos, fazendo-se mais presente partir dos 4-5 anos.
Agora, saindo das metáforas, podemos perceber que buscar recompensas é algo que fazemos diariamente (por exemplo, vamos trabalhar para ganhar um salário no fim do mês). A luta entre nossos desejos e o autocontrole (entre a gratificação instantânea e a que demora) resulta em um grande aprendizado emocional desde que somos pequenos.
Dar tempo ao tempo ajuda a tolerar a frustração.
Às vezes os acontecimentos gratificantes demoram e nossa impaciência pode chegar a romper o fluxo das circunstâncias, em outras palavras, chegar a derrubar os muros que já tínhamos construído para nosso castelo.
Aquilo que realmente vale a pena requer um grande esforço e uma enorme capacidade de espera e sacrifício que, de vez em quando, nos derrota emocional e fisicamente. Não conseguimos entender por que não chega logo nosso pequeno momento de glória e somos derrubados diante da incerteza.
De qualquer modo, isso leva a grande aprendizados emocionais que, na maior parte das vezes, não percebemos:
•Aquilo que realmente valorizamos é o que colocamos alma e coração; ou seja, o que requer esforço e vontade.
•Nada melhora se não nos movermos para tal.
•A responsabilidade e a constância com nossos objetivos são as únicas maneiras de conseguir aquilo que queremos.
•Na vida, cada um deve ser o capitão de seu próprio veleiro, pois se não dirige você mesmo, não chegará nunca a um bom porto e ficará navegando perdido em alto mar durante grande parte de sua existência.
•É muito importante tentar sempre melhorar a partir do que já somos em direção ao que queremos e o que outras pessoas mais experientes nos contam.
•Não é preciso que façamos tudo bem, não existe perfeição.
•Durante toda espera podem acontecer grandes coisas.
•Tudo chega, mas o tempo nunca mais volta.


Se finalmente aquilo que queremos acontece, devemos ser conscientes de que nada do que acontece é um erro. Cada decisão, em cada momento em que foi tomada, e cada sentimento no instante que é gerado em nós, tudo isso é adequado ao momento.
Por isso é importante que não desistamos de entender o sentido de cada coisa que nos ocorre, pois como disse Victor Frankl “A vida é potencialmente significativa até o último momento, até o último suspiro, graças ao fato de que é possível extrair significados até do sofrimento”.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

To Have And Not To Hold

To look but not to see
To kiss but never be
The object of your desire
I'm walking on a wire
And there's no one at all
To break my fall

eu sou um rio

  • eu nunca entendi porque as pessoas na minha vida sempre iam embora, como pequenas embarcações que se vão sobre o leito de um rio, até o dia que percebi que a mudança era parte inerente de mim, que não eram elas que iam embora, eram as águas que mudavam constantemente dentro de mim, mudavam de rumo, de densidade e naturalmente faziam tudo mudar.

o grito interno.

Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra. Ela sabe. Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro. Ele sabe. Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio. Sabemos, sim. Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar esse grito com conversas tolas, elucubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe em nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita. Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar esse amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle. A verdade grita. Provoca febre, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona e finge esquecer. Mas há uma verdade única: ninguém tem dúvida sobre si mesmo. Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz. E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver! Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto. Sabe. Eu não sei por que sou assim. Sabe.
— Martha Medeiros.

esforçando-se


Privamo-nos para mantermos a nossa integridade, poupamos a nossa saúde, a nossa capacidade de gozar a vida, as nossas emoções, guardamo-nos para alguma coisa sem sequer sabermos o que essa coisa é. E este hábito de reprimirmos constantemente as nossas pulsões naturais é o que faz de nós seres tão refinados. Por que é que não nos embriagamos? Porque a vergonha e os transtornos das dores de cabeça fazem nascer um desprazer mais importante que o prazer da embriaguez. Por que é que não nos apaixonamos todos os meses de novo? Porque, por altura de cada separação, uma parte dos nossos corações fica desfeita. Assim, esforçamo-nos mais por evitar o sofrimento do que na busca do prazer.


 — Sigmund Freud.

La Yugular

  7 heavens Big deal I wanna see the 8th heaven 10th heaven Thousandth heaven You know, it's like Break on through the other side It...