sábado, 6 de setembro de 2014

Serpente



O acaso empurra quem Se agarra à borda preso em negação
Solitário na multidão A sustentação é que a manhã já vem
Logo mais amanhã já vem
Chega dessa pele, é hora de trocar
Por baixo ainda é serpente e devora a cauda Pra recomeçar.


domingo, 3 de agosto de 2014

Eu, água.

“Respira fundo e apaga tudo por alguns segundos. Conte até dez e permita-se recomeçar. Parece terapia mas não é, quando se está na beira do abismo, você se salva ou vira manchete de jornal. A poesia fica no canto da página, feito nota de falecimento, sem nenhuma expressão. Não adianta querer entender o que se passou, é hora de esquecer e se reorganizar, uma mera questão de sobrevivência. Depois de tantas recaídas, idas e vindas é preciso voltar ao jogo. E é nessas horas que eu gosto de comparar o ser humano com a água, com o líquido e o abstrato, gosto de acreditar na flexibilidade e fluidez do universo. Eu diria que o segredo é ser capaz de enxergar todas as possibilidades de escolha, de entender as múltiplas facetas da verdade. Vasculhe o jornal, tantas coisas acontecendo, o mundo é um balão de novidades, uma esfera cibernética de fatos e pessoas. Reflita, se fossemos baseados em regras ou princípios torpes, tornaríamos repetições sem graça dos nossos pais, no máximo um retrato hightech do passado. Está na hora de exercer toda a sua criatividade. Reaja e assim como a água deixe fluir. Ocupe um novo lugar, adapte-se às novas condições de temperatura e ambiente. Vamos, respira, a cada tropeço temos a chance de rever tudo, de encontrar as falhas, de tampar os buracos. Somos um rio repleto de vida, carregamos em nós mesmos um universo particular de possibilidades e vocações. Abras as gavetas, doe algumas roupas, faça novas combinações, ache palavras interessantes no dicionário e use-as, compre discos, vá ao conservatório de música e em suas escadarias recite aquele verso que te fez chorar. Está tudo ai, basta exercermos a nossa liberdade e irmos em frente.”

Elisa Bartlett



quarta-feira, 9 de julho de 2014

dona felicidade

“O segredo é esse, a felicidade não está nas grandes coisas, na quantidade de dinheiro que carregamos no bolso, está no conjunto do dia, nos pequenos gestos, nas ocorrências cotidianas, está na leitura de um olhar discreto, nas reações e sentimentos alheios, nas impressões sentimentais naufragadas ou prestes a surgir do inconsciente, nas respostas ditas claramente e sem medo, na estante de livros do corredor, na capacidade de sermos diferentes e incrivelmente interessantes, de nos permitirmos a enlouquecer e sair pela ruas declarando o amor ou a desilusão, de entendermos que só há uma saída quando se trata de ser verdadeiro, e ela reside no fato de sermos exatamente quem somos, gays, transviados, românticos, poetas marginais, políticos, amantes, nerds, surfistas, deístas, travestis, cristãos, militares, hyspers, ou quem sabe um transviado-militante ou um sufista-poeta, somos todos seres humanos mutantes em completa e constante evolução. Saber que se radicalizar ou se prender ao passado, à ideias retrógradas e estapafúrdias é se congelar perante as possibilidades, é burrice frente ao um mundo que anda na velocidade da luz. Nos resta saber que a felicidade está impreterivelmente nas nossas escolhas e ações cometidas quando nos deparamos com o absurdo e irreal aos olhos do coração, está dentro de nós, está na nossa capacidade de semear o bem e o mal, de criar estilos inéditos, misturados, completamente inusitados. Os momentos escrevem a vida assim como os ponteiros percorrem o relógio e definem as horas do dia. Então, não sejamos egoístas, sejamos responsáveis e corajosos, sejamos condutores e produtores de nossas próprias vidas. Chega de culpar o outro e nos justificarmos citando regras e padrões ou até mesmo nossos pais e professores. Está na hora de sermos pessoas melhores, chega de tanta mediocridade e lamentações. É hora de escrever nossos próprios princípios de vida, defendê-los e sermos absolutamente livres e felizes.”

 Elisa Bartlett

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Thinking Out Loud.



I'm thinkin' bout how 
People fall in love in mysterious ways 
Maybe just the touch of a hand
Me, I fall in love with you every single day
I just wanna tell you i am...


domingo, 15 de junho de 2014

PESSOAS

“Pessoas. Olhares evasivos, semblantes tristes, alegres e por vezes monótonos. Pessoas: um poço fundo de sentimentos subjetivos e qualidades duvidosas. Pessoas. Eu olho-as e tento penetrar na alma delas e entender ou talvez perceber um pouquinho que seja das suas vidas. Não que eu queria ser curioso, mas isso me encanta. Pessoas. Olho-as e tento imaginar de onde elas vêm, para onde vai, se estão bem, se está pensando o mesmo sobre mim ou o que elas carregam no peito. Pessoas. Sou um apaixonado por essas almas prolixas que vêm de não sei de onde e vão para não sei o quê. Pessoas. Olho-as profundamente na esperança de resgatar o meu eu perdido nos olhares demorados dos demais transeuntes. Pessoas não são iguais à ninguém. Somos todos seres ímpares, nascemos assim, desprovidos de semelhança alheia. Pessoas. Ando pela Avenida e percebo que meu dia jamais seria o mesmo sem poder ver, analisar, pensar ou levantar perguntas retóricas para mim mesmo sem elas. As pessoas me ajudam a compreender o que eu não percebo. As pessoas fazem o que eu não faço. As pessoas comem, bebem, vestem, falam o que eu não bebo, e isso me chama a atenção. Somos eternos seres cativantes e não fazemos a mínima idéia de que podemos ser o alvo de um olhar aguçado. Pessoas. Todo mundo se parece com a gente, mas ninguém é igual a ninguém.”

sábado, 7 de junho de 2014

um/dois.

Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão,
 continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.

domingo, 25 de maio de 2014

BRIGHTEST MORNING STAR

I lift my hands and pray
Coz life's tough somedays
But I will not lose faith coz you will lead the way


La Yugular

  7 heavens Big deal I wanna see the 8th heaven 10th heaven Thousandth heaven You know, it's like Break on through the other side It...