tudo bem, tudo muito bem
Bebe vodka nacional sem gelo. Ressacas, um dia de monge, um de puto, um de Joplin, um de Tereza de Calcutá, um dia de merda. Apóia pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis e crediários atrasados. Nada contra decadentes em geral, nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Ando angustiado demais, palavra antiga essa, duas décadas de convívio, não venha com essa história de atraiçoamos-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal, só queria salvar a minha, veja só que coisa mais individualista. Aqui, mastigando essa coisa sem conseguir engolir nem cuspir fora. Às vezes acendo vela, queimo incenso, não te peço solução nenhuma, já sei tudo de mim. As pessoas se transformavam à minha frente, mas eu reagi, e cadê a causa, cadê a luta, cadê o potencial. Atordôo minha sede com sapatinhos do Ferro’s Bar ou encho a cara sozinho aos sábados. Não estou desesperado, estou lúcido pra caralho, não se preocupe, depois que sair deito, durmo, depois acordo e passo uma semana a arroz integral, absolutamente santa e pura. Sem tomar nenhuma medida, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma? Que te aconteça alguma coisa bem bonita, desejo uma fé enorme, como aquela fé que a gente teve, me deseja também uma coisa bonita, MARAVILHOSA, que me faça acreditar, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe esse gosto de derrota sem nobreza. Companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando. Repetindo que tudo vai bem, tudo bem, tudo muito bem. Axé! /CaioFAbreu

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